Ele, como nós, pensou que seria criança pra sempre.
E que jogar futebol seria sua profissão.
Alguns até viraram jogadores, mas outros seguiram outras profissões.
Eles cresceram e viram que ser criança não durava toda a eternidade, e que os cabelos brancos iriam aparecer.
Ele achava que beijar na boca era nojento, mal sabia ele que iria namorar, e muitos deles chegaram a se casar.
Ele pensou que nunca haveria outra pessoa na vida dele, até que sua mulher lhe mostrou imagens do ultrasom, e ele teve certeza, tem uma criança aí, e ela é minha.
Ele quis um menino, e apareceu a menina.
Ele queria ensinar a jogar bola, e ela quis brincar de boneca.
Ele quis uma menina, apareceu um menino.
Ele queria dar um kit de maquiagem, mas ele quis o carrinho de controle remoto.
Ele quis os dois, e vieram os dois.
Ele deu a boneca, e ensinou a jogar futebol, ele deu a maquiagem e o carrinho de controle remoto.
Ele te ensinou a conquistar meninas e te influenciou na escolha do time de futebol.
Ele te ensinou que meninos não prestam e que futebol era coisa de menino.
Ele te levou pra sair, e foi te buscar na melhor hora. Você ficou brava, mas ele não podia fazer com que nas segundas não tivessem aula.
Ele te fez pagar aquele mico, quando saiu pela primeira vez com aquela menina. Você ficou bravo, mas riu depois.
Seu pai te deu tudo o que você precisou: educação, amor, carinho, surras quando você aprontou aquela.
Te deu brinquedos e conselhos, e sermões quando foi preciso. Você sempre odiou cada sermão, mas descobriu que cada um te fez crescer futuramente.
Teu pai deu toda a sua base, e se hoje você é isso, foi ele quem te fez assim. Literalmente! Desde o espermatozóide.